quinta-feira, 10 de maio de 2007

Reunião entre Conrerp e Prograd - mensagem do presidente do Conrerp

Prezados Colegas,

Em reunião entre o Conselho de Relações Públicas, representado por mim e pelo Conselheiro Efetivo Wallace Ischaber, e o Dr. Mauro, Pró-reitor da UFMG, no dia 8 de maio, ficou esclarecido o seguinte:

O Processo caminha para a votação, mas é previsto que aconteça no final de junho ou em agosto, após a apresentação do parecer do relator.

Dificilmente, segundo o Pró-reitor, a decisão será diferente do que a Comissão do Colegiado quer.
Precisamos de autoridades nessa área para que possamos conversar com mais conhecimento de causa.

Todos os e-mails de manifestação, cartas, cobertura de mídia, apoios de entidades e Ilustres profissionais estão sendo anexados por meio de protocolo ao Colegiado e ao Relator que analisa o processo e, segundo Dr. Mauro, tal Relator é uma pessoa de fora da Faculdade de Comunicação Social para garantir a lisura e legitimidade da análise.

Os alunos de Relações Públicas entregaram ao Dr. Mauro abaixo assinado com 260 nomes, que foi protocolado ao processo.

A posição da Pró-reitoria e da Reitoria, segundo Dr. Mauro, é de que não existe o desejo de extinguir o curso e tal situação não partiu dessa instância. Inclusive, Dr. Mauro afirmou que foi colocado pela Reitoria o apoio a processos que poderiam reverter o quadro de problemas.

A conversa foi focada em cima de três pontos principais:

Quantidade de Alunos que optam por Relações Públicas:

Apesar de ser das quatro a terceira mais procurada perdendo para Jornalismo em primeiro e Publicidade em segundo e ganhando de RTV apenas, essa diferença não é grande, e pela análise do próprio Pró-reitor não justificaria o argumento. Essa baixa procura apontada pela Comissão talvez seja pelo motivo de não se dar a devida importância à profissão de Relações Públicas nos primeiros períodos na disciplina de responsabilidade de Bruno Leal, Coordenador e membro da Comissão que deseja a extinção, segundo os próprios alunos de Relações Públicas.

Qualidade de ensino:

Outro ponto que foi tratado é a suposição de que a qualidade do ensino é ruim não dando base ao processo de conhecimento. Nesse ponto é de extrema importância que todos saibam que Relações Públicas na UFMG é um dos melhores cursos do país, pelo nível de formação de seus alunos, a demonstração de trabalhos em Fóruns, e a qualidade técnica dos Profissionais que estão registrados em nosso Conselho. Ainda foi apontado que existe uma falta de professores na área de Relações Públicas. Essa falta é pelo claro motivo de não quererem, a mesma comissão e Coordenação que buscam a extinção, que se contrate novos professores através de concurso ou substitutos. Inclusive, a avaliação ruim que o curso de Comunicação Social na UFMG obteve em anos anteriores foi em função da habilitação de Jornalismo e, assim mesmo, por motivos de boicote promovido pelos alunos da UFMG.

Conhecimento sobre a profissão pela Comissão:

O terceiro ponto diz respeito à falta de conhecimento sobre a profissão que a Coordenação e Comissão parecem ter em função de mercado, legislação e crescimento da atividade de Relações Públicas no País e no Mundo.


A forma como a Comissão propõe a reestruturação das disciplinas não dá ao profissional, formado em Comunicação Social na UFMG, o direito de atuação no mercado de trabalho, sobretudo no que diz respeito a concursos públicos na área de Relações Públicas, onde é exigido o registro nos Conselhos Regionais. Bom, com relação ao desconhecimento da lei, pessoalmente, acho que é pouco provável, uma vez que ela é notória e pensando mais claramente, é no desconhecimento nosso que a condição argumentativa dos que querem a extinção ganha força. Em entrevista ao Jornal o Tempo o Sr. Bruno Leal, Coordenador de Comunicação Social da UFMG, diz que existe uma baixa oferta de mercado ao profissional e que o curso não tem meios de melhorar. Novamente consideramos um absurdo as declarações dadas, uma vez que, dentro das habilitações, a que mais tem perspectiva de crescimento é a de Relações Públicas, em torno de 15% ao ano com aumento de salários em torno de 42% previsto entre 2000 a 2010 segundo Paulo Nassar, Presidente da ABERJ, publicado em coluna no Terra Magazine.

Dr. Mauro disse, em suma, que a UFMG é democrática em seus processos, não cabendo à Reitoria e Pró-reitoria, a decisão de manter ou não o Curso de Relações Públicas. O Movimento RP na UFMG deverá procurar a Direção da FAFICH, representada pelo Prof. João Pinto Furtado, para reunião e possível reavaliação do processo.

O Pró-reitor ainda elogiou nosso o Movimento por se tratar de um processo que reivindica objetivos legítimos e com alto grau de respeitabilidade.

Portanto, Nobres Colegas, mandemos e-mails, cartas comunicados ao Prof João Pinto Furtado para demonstrar nosso desejo de diálogo. O e-mail do professor é dir@fafich.ufmg.br.

Temos pouco ou nenhum tempo se não nos mobilizarmos desde já.

Att,

Valdeci Ferreira
Presidente CONRERP 3ª Região

terça-feira, 8 de maio de 2007

Mais um importante apoio: ABRP Nacional

São Paulo, 08 de março de 2007.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

Magnífico Reitor Ronaldo Tadêu Pena

Em nome da Associação Brasileira de Relações Públicas, Nacional, ABRP/Nacional e dos seus Associados, vimos a público repudiar a possibilidade de suspensão da oferta da habilitação Relações Públicas, do curso de Comunicação desta Universidade.

No momento em que a área de Relações Públicas se posiciona cada vez mais positivamente na sociedade globalizada, causa estranheza a atitude da Universidade Federal de Minas Gerais.

Assim, nos manifestamos pela permanência da habilitação.


Atenciosamente

Esnél José Fagundes
Presidente da ABRP/Nacional

Aberje também é a favor da manutenção da habilitação

A Aberje também encaminhou carta ao reitor Ronaldo Tadêu Pena, manifestando-se contra a suspensão da habilitação de Relações Públicas na UFMG, conforme segue abaixo:



São Paulo, dia 07 de maio de 2007


Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
Magnífico Reitor Ronaldo Tadêu Pena


Magnífico Reitor,

Em nome dos associados e dos Conselhos Deliberativo, Consultivo e Fiscal da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial – ABERJE – repudiamos a possibilidade de fechamento do curso de Relações Públicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) a partir do próximo ano.

Dada a importância da área de Relações Públicas no contexto da Comunicação Empresarial em todo o país e internacionalmente, nos manifestamos pela manutenção do curso.


Atenciosamente,

Paulo Nassar
Presidente da ABERJE e Professor Dr. da ECA-USP

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Manifesto da Abrapcorp

O manifesto abaixo foi aprovado pelos Sócios da Abrapcorp (Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação Organizacional e Relações Públicas) , por ocasião do seu primeiro congresso científico, ocorrido entre os dias 03 e 05 de maio na ECA-USP.



MANIFESTO


Professores e Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas, reunidos no I Congresso Brasileiro Científico de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas, realizado na Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo, de 03 a 05 de maio de 2007, vêm a público manifestar sua preocupação com a possibilidade de suspensão da oferta da habilitação “Relações Públicas” do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais, a partir de 2008.

Causa estranheza que tal possibilidade ignore o crescimento exponencial da área de Relações Públicas e de Comunicação Organizacional no país, bem como a inserção, da UFMG neste contexto, tanto em termos de contribuição científica, quanto em relação à formação acadêmico-profissional.

Tal possibilidade se mostra preocupante pelo impacto negativo que possa acarretar, sendo a UFMG a única universidade pública do Estado de Minas Gerais a oferecer esta habilitação. Além disso, a suspensão da habilitação Relações Públicas é incompatível com o papel de uma universidade pública de prestígio reconhecido no ensino, na pesquisa e na extensão.

São Paulo, 04 de maio de 2007.

Assembléia Geral da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação Organizacional e Relações Públicas – ABRAPCORP

Margarida Maria Krohling Kunsch
Presidente da ABRAPCORP

Carta do professor Márcio Simeone a seus colegas e alunos

Belo Horizonte, 04 de maio de 2007.

Aos colegas professores do Departamento de Comunicação Social da UFMG
Aos alunos da Habilitação Relações Públicas da UFMG

Em todo o processo de avaliação da formação profissional do Curso de Comunicação Social, que culminou em agosto de 2006 com a elaboração de propostas no âmbito do Curso de Graduação e do Departamento, preferi manter-me reservado e não me manifestar publicamente, nem mesmo nas instâncias onde o relatório de avaliação foi discutido. Tal decisão, entretanto, não se deu somente pelo motivo de estar afastado para fins do meu doutoramento. Ao ser procurado pelo Coordenador do Curso e da Comissão de Avaliação, ainda no primeiro semestre do ano passado, fui por ele informado que a comissão, já com seus trabalhos em andamento, caminhava para uma proposta de suspensão de habilitações e que a comissão gostaria de ter minha opinião. Impossibilitado naquele momento de dispor de tempo para reunir-me com a comissão, prontifiquei-me a conversar com o Coordenador sobre o assunto. Nesta conversa pude ter noção das idéias que a comissão esboçava e deixei, ali, minha posição favorável à estruturação do curso por áreas de formação (ou ênfases) que pudessem guiar uma reforma curricular consistente e, de certa forma, buscar soluções mais inovadoras que conciliem nosso arranjo departamental e as áreas de conhecimento e de formação (promovendo, inclusive, um alinhamento entre a Graduação e a Pós-Graduação).

Reafirmei a minha posição, já conhecida desde quando participei ativamente da construção da proposta do Currículo 2000, que foi embasada em princípios político-pedagógicos aprovados pelo DCS e pelo Curso: a de que devemos transcender as habilitações, ou seja, criar condições para que não nos deixemos guiar essencialmente pela lógica das habilitações. Mas também, com a experiência de atuação de 17 anos em atividades didáticas profissionalizantes, sempre alertei para a dificuldade de simplesmente deixar de habilitar os alunos, tendo em vista persistirem ainda as habilitações tradicionais como referências do exercício profissional, o que poderia causar prejuízos à inserção profissional dos estudantes.

No caso específico da habilitação de Relações Públicas, fiz várias considerações ao Coordenador, para que levasse à Comissão como subsídios para a avaliação que estava em andamento - inclusive ponderando que a avaliação não deveria ser feita sobre uma conjuntura específica e desfavorável que acometeu a habilitação recentemente - e fiz com que soubesse também do meu desconforto, caso estivesse mais uma vez em jogo uma proposta de suspensão da habilitação RP. Isso por motivo bem simples: tal suspensão já havia sido sugerida como resultado de discussões sobre o projeto pedagógico do curso com a implantação da reforma realizada em 2000 e, para mim, seria uma experiência particularmente desagradável, e mesmo dolorosa, ter de, novamente, enfrentar esta situação.

Considero importante retomar, aqui, a memória daquele processo. No primeiro semestre de 2002 fui membro de uma comissão mista Colegiado/DCS de “acompanhamento e avaliação do projeto pedagógico do Curso de Graduação em Comunicação Social ”. Esta comissão apresentou, em julho de 2002, um documento-base sobre as condições de oferta do curso, que foi levada à consideração da Câmara Departamental – que eu também presidia na época – e ao Colegiado. Aquele documento, além de vários problemas relacionados à oferta do novo currículo e às condições do Departamento de fazer frente a novas demandas oriundas da flexibilização curricular, apontava uma preocupação central com a adequação do formato do nosso curso às formas de avaliação que vinham sendo instituídas no âmbito do MEC/INEP. O contexto pedia, de fato, tomada de posição quanto às questões de avaliação externa, uma vez que havíamos passado por experiências negativas, sendo a última delas, uma avaliação específica de uma habilitação apenas: a de Jornalismo. As discussões amplas promovidas com o corpo docente concluíram que a necessidade de expansão imediata do quadro de professores era um empecilho para manter a oferta das quatro habilitações, se considerados os critérios de avaliação externa que então se instalavam. Esta indicação foi incorporada no relatório da comissão de avaliação, da qual eu mesmo fiz parte. Mas o estudo feito pela comissão também recomendava uma reavaliação do número de vagas e da periodização, apontando uma demanda de discussão imediata com a Câmara de Graduação para melhor “definir a relação entre as diretrizes e os padrões de avaliação adotados pelo MEC, a autonomia da UFMG para atender ou não a estes padrões e qual o entendimento da UFMG acerca das exigências apresentadas e a importância do seu cumprimento”. Toda esta discussão estava atrelada, em essência, à pressão exercida pelo problema da avaliação externa e do cumprimento dos padrões de qualidade que, da forma como estavam traduzidos no instrumental então adotado para a avaliação do MEC, inviabilizavam o Curso como um todo.

Dada a sua importância, a situação foi trazida à consideração da Assembléia Departamental, e não apenas da Câmara e do Colegiado. O debate foi intenso e, por que não dizer, penoso. As discussões convergiram de imediato para o ponto da suspensão de habilitações e praticamente ficaram circunscritas a este aspecto constante do relatório. Não houve, no entanto, acordo da Assembléia sobre quantas ou quais habilitações deveriam ser suspensas e sobre a forma como se deveria encaminhar e justificar a proposta. Revelou-se, ali, o quanto o tema é complexo e o quanto as questões relativas à profissionalização são delicadas, interferem em vários interesses diferentes e merecem considerações e análises que não são apenas internas ao Curso e ao nosso Departamento (na qualidade de maior ofertante das suas atividades didáticas).

À parte o mérito da discussão em si, a qual me cabia conduzir e encaminhar, causou-me grande pesar a forma como, uma vez desencadeado o debate mais amplo, a habilitação de RP foi tão negativamente avaliada pelos meus pares, em geral. Causaram-me surpresa e espanto algumas manifestações que demonstravam absoluto desprezo pela habilitação e pela área, desconhecimento do seu significado dentro do Curso e falta de respeito aos professores a ela ligados, aos alunos e aos ex-alunos - um julgamento implacável, não somente sobre a habilitação em si, mas também sobre a área de relações públicas e comunicação organizacional, sua pertinência e sua contribuição. Mesmo assim, pela posição que ocupava, preferi ser discreto, não quis particularizar nenhuma polêmica com alguns colegas e não achei pertinente sair em defesa da habilitação.

Mesmo assim, as discussões levadas a cabo no DCS e no Curso ganharam ampla repercussão externa e, para minha surpresa, alastrou-se rapidamente a informação de que “o Curso de RP da Federal estava fechando”. Comecei a receber manifestações, inclusive uma interpelação do Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas, que cobrava uma resposta oficial da UFMG quanto a isso. A todos procurei informar o que havia de fato: até então, apenas uma indicação. Mas, com isso, uma visão extremamente negativa da habilitação se instalava para além de nosso ambiente interno.Comecei a ouvir, constrangido, no meio profissional e no meio acadêmico da área de RP e comunicação organizacional sobre a falta de qualidade do “Curso de RP da Federal” (e aqui não podemos desconsiderar outros interesses externos em desqualificar o nosso curso como um todo).

Não poderia, portanto, deixar de ver-me diante de uma sensação de fracasso e de incompetência. O que não fazia justiça aos esforços de todos os que, nestes anos, sustentaram esta habilitação. Também não condizia com a nossa inserção acadêmica cada vez maior e mais qualificada nos principais fóruns de RP e Comunicação Organizacional, onde sempre fomos muito considerados e respeitados, nem sequer com o sucesso obtido por nossos ex-alunos no meio profissional.

Naquela época, procurei deixar bem claro que, para mim, a questão de manter ou não a habilitação não se tratava de pura defesa corporativa de uma profissão ou de um espaço pessoal dentro do DCS e do Curso, mesmo reconhecendo que é bastante difícil que qualquer discussão sobre habilitações esteja totalmente isenta das contradições inerentes ao campo de exercício profissional e de impactos importantes sobre o espaço e o ambiente de atuação de cada docente que se dedica a atividades do ciclo profissionalizante. Tenho explicitado com freqüência minhas posições, até mesmo quando exerci a função de Conselheiro do CONRERP e do CONFERP, de que é necessário rever as velhas formas de exercício profissional, reconfigurar a formação e encontrar formas renovadas de atuação, independente das fronteiras artificialmente estabelecidas e nunca fugi aos debates sobre este assunto. Recusei-me, no entanto, a travar discussões que se limitassem exclusivamente a um viés corporativo, por entender que a área das relações públicas não se restringe a uma profissão, mas representa um conjunto de práticas e um fenômeno que não podem ser ignorados quando se produz conhecimento sobre a comunicação. Considero também, que a segregação desses conhecimentos no âmbito de uma habilitação constrange a verdadeira contribuição que os conhecimentos teóricos e práticos de relações públicas pode prestar ao conjunto da área de comunicação. Acredito firmemente, que o grande desafio posto aos cursos de Graduação em Comunicação Social parte da constatação de que as áreas de exercício profissional correspondem cada vez menos às suas habilitações – e aí incluo todas elas, e não somente a de relações públicas. Foi assim que procurei acompanhar com atenção os desdobramentos dos debates em duas frentes: as discussões sobre a reconfiguração dos estatutos profissionais – não só de RP, mas principalmente do Jornalismo – e sobre a avaliação dos Cursos de Graduação. Em relação a este segundo ponto, é preciso que se diga que há mudanças substanciais na forma como os processos de avaliação se construíram desde 2002. Ou seja, estamos hoje vivendo em outro contexto bastante diferente daquele no qual fomos anteriormente avaliados (apenas no Jornalismo, vale lembrar). E, com uma novidade: a inserção de Relações Públicas no ENADE.

É preciso registrar que os debates de 2002 causaram uma movimentação intensa dos estudantes e dos ex-alunos, para os quais as justificativas de suspensão da habilitação de RP causavam perplexidade e não condiziam com sua própria leitura sobre o que era e como funcionava a formação que lhes era – ou fora – oferecida. Procuraram, por diversos meios, explicitar esse desconforto. No entanto, causaram-me ainda maior tristeza manifestações de colegas do DCS que desqualificavam grosseiramente as manifestações dos discentes e, de certo modo, me acusavam de “manobrar” os estudantes contra o indicativo de suspensão. Digo, de coração aberto, que não tomei nenhuma iniciativa neste sentido, nem mesmo de levar o assunto, ainda no nível de uma deliberação preliminar – para qualquer outra instância externa que fosse, como facilmente podem testemunhar os ex-alunos e colegas que acompanharam mais de perto o desenrolar desse processo e com quem, de certo modo, dividi as dificuldades que se apresentavam. Como Chefe do Departamento, respondi a todas as consultas que me foram dirigidas, como seria do meu dever (inclusive oficialmente, como podem comprovar os arquivos da Secretaria do DCS), e procurei minimizar externamente o impacto negativo causado pelo vazamento de notícias que, na verdade, colocavam sobre o fato um acento dramático e despropositado que não atingiam somente a imagem externa da habilitação de RP, mas de todo o curso, com conseqüências nefastas para todos, inclusive para os egressos.

Com tudo isso, senti-me profundamente afetado. Procurei dar um tratamento institucional para esta questão e abstrair os desconfortos pessoais, confiando que as grandes discussões sobre o projeto pedagógico do Curso pudessem ser, mais adiante, retomadas em outras bases. Foi por este motivo que, ao encontrar-me de novo, em 2006, diante de uma proposta de suspensão de habilitações, na conversa com o Coordenador, deixei claro o meu propósito de não me envolver nas discussões, caso a proposta de suspensão caminhasse na direção da habilitação de Relações Públicas.

Não foi uma decisão fácil, mas foi tomada diante da minha limitação pessoal de dar conta de um processo que já havia sido particularmente doloroso e para oqual não me sentia em condições de enfrentar novamente. Manifestei, então, minha confiança no juízo daquela comissão, dos pares e das instâncias às quais caberia deliberar realmente sobre o assunto e entendendo que, mais do que habilitações, áreas ou interesses particulares, o que está em jogo é um projeto coletivo.

Tendo a comissão materializado, de fato, a proposta de suspensão da habilitação de RP, cumpri a palavra dada ao Coordenador. Não procurei esconder de colegas o meu desconforto, mas me eximi de fazer em público considerações específicas sobre o documento e a proposta apresentada, não compareci deliberadamente a nenhuma das reuniões convocadas para discutir o assunto e julguei-me num dever de lealdade institucional e pessoal manifestar algumas poucas considerações e ponderações e justificar minha ausência à Chefe do Departamento. Procurei, mais de uma vez, deixar patente algo que me sinto premido a dizer agora, publicamente:

(1) em nenhum momento dei a quem quer que seja procuração para manifestar ou agir em meu nome contra as propostas em pauta;
(2) em todas as ocasiões em que fui procurado para dizer algo sobre o assunto, limitei-me a registrar minha impossibilidade pessoal de me envolver efetivamente na discussão, deixei claro meu desconforto e meu propósito de não me manifestar sobre o mérito do documento da comissão.

Alguns fatos me compeliram a vir, de público, prestar estes esclarecimentos. Em primeiro lugar porque a tramitação da proposta na instância superior – a Câmara de Graduação – provocou uma intensa mobilização dos estudantes em favor da manutenção da habilitação, o que, para mim, tomou uma dimensão inusitada. Quero deixar claro que tenho procurado guardar distância dessa movimentação e o faço em absoluto respeito às decisões tomadas pelo Departamento e pelo Curso para as quais eu, deliberadamente, pelas razões acima expostas, me eximi de participar.

Faço isso, sem dúvida, a um custo pessoal muito grande, porque não espero que os próprios alunos, ex-alunos e entidades compreendam o meu silêncio e a minha inação. Eles podem perfeitamente tomar minha abstenção apenas como um ato omisso e covarde. Mas não posso deixar que, neste momento, pessoas levantem suspeitas sobre o meu real envolvimento na questão, não posso permitir que usem o meu nome para defender qualquer posição. Por isso tomo a liberdade de falar de peito aberto aos colegas, aos alunos e aos ex-alunos. Neste momento, em especial, por tomar conhecimento de algumas manifestações afetuosas de alunos e ex-alunos que me tocaram profundamente e pela declaração proferida na semana passada, em evento realizado na PUC-MG, pela Profa. Margarida Kunsch (evento ao qual não compareci).

Mais do que uma eventual suspensão da habilitação, para mim está em jogo uma avaliação digna e respeitosa que se faça de um trabalho e de um projeto de formação que sempre foi muito além dos limites dessa habilitação e não foi feito apenas por mim: é fruto do trabalho de todos os professores da área, não apenas os efetivos, como também os substitutos e estagiários docentes, que por aqui passaram, dos monitores de graduação que participaram intensamente desses esforços, da funcionária técnica de Relações Públicas e ainda de todo o conjunto dos meus colegas de DCS, independente das suas áreas e habilitações, porque na UFMG procuramos manter, mesmo com todas as dificuldades, um curso que não fosse compartimentado apenas nos estreitos moldes das habilitações e pudesse dar um aporte teórico mais amplo (o que, para minha satisfação, é sempre ressaltado positivamente pelos nossos ex-alunos, que reconhecem um diferencial que a UFMG lhes proporcionou para galgarem as suas posições profissionais).

Creio que a todos devo uma palavra sincera, mas não seria próprio e tempestivo, portanto, que me manifestasse agora às instâncias formais a quem cabe dar curso ou não à proposta e, por isso, preferi colocar alguns esclarecimentos nesta carta. Se não me apresentei à discussão nos momentos próprios em que poderia ter interferido nos seus rumos, não considero ético fazer qualquer apelo agora, porque simplesmente confiei nos resultados da decisão tomada coletivamente pela maioria e a respeito. Não desejo, com isso, abrir nenhuma polêmica e reafirmo uma postura que, acredito, sempre pautou minha atuação no DCS e no Curso, de zelo pelas suas instâncias deliberativas. Não quero que esta manifestação seja interpretada de modo algum como uma desqualificação das decisões já tomadas ou mesmo particularizar posições, o que acho desagradável e inócuo. É algo que temos que considerar no plano coletivo, muito acima de posições e interesses pessoais, e pensando num futuro comum. Vejo com bons olhos o esforço do Departamento e do Curso de buscar novas soluções, principalmente de construir um novo projeto pedagógico que incorpore as nossas melhores contribuições para uma formação profissionalizante séria e competente. Meu desejo é que as discussões possam ocorrer de forma serena e lúcida, com o respeito que devemos manter ao trabalho e ao esforço dos colegas.


Cordialmente,

Prof. Márcio Simeone Henriques

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Notícia em jornal de BH sobre o curso

A seguir, uma reportagem publicada hoje, 04/05/07 no jornal O Tempo (http://www.otempo.com.br/cidades/lerMateria/?idMateria=88190)
"UFMG deve suspender curso de RP
CAROLINA COUTINHO
Duas das quatro habilitações do curso de comunicação social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estão ameaçadas de serem suspensas nos próximos anos.
Relações públicas (RP) e rádio e TV (RTV) podem não constar mais na lista de opções dos candidatos ao vestibular 2008, o que desagrada alunos, professores e profissionais das áreas.
A iniciativa da suspensão partiu de uma comissão interna do colegiado do curso, que já aprovou a medida, e pela Congregação da Faculdade de Ciências Humanas (Fafich).
Os próximos passos do processo de definição passarão pela votação na Câmara de Graduação e no Concelho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da UFMG.
Atualmente, as duas atividades são escolhidas no sétimo período do curso de comunicação, que oferece também as habilitações em jornalismo e publicidade e propaganda.
O coordenador do curso de comunicação social e membro da comissão de suspensão, Bruno Leal, disse que há 20 anos percebe a baixa demanda por essas profissões.
Segundo ele, dos cem alunos que ingressam por ano no curso, 85 a 90 acabam escolhendo jornalismo ou publicidade. Outras justificativas são a impossibilidade de se sustentar com alta qualidade quatro habilitações num mesmo curso.
“Essas duas habilitações têm muitas deficiências e, por isso, não vale a pena dar continuidade a elas. Nas avaliações do MEC o curso sempre perde pontos em função dessas duas áreas”, afirmou Leal. O último argumento é em relação ao mercado de trabalho.
“Na década de 80 esperávamos uma grande necessidade desses profissionais, o que não se confirmou. A demanda não foi comprovada”, disse Leal, que explicou que a suspensão seria, num primeiro momento, de apenas quatro anos.
O estudante do oitavo período de comunicação social Bruno Castro, 23, escolheu se especializar em relações públicas.
Segundo ele, que é um dos organizadores da mobilização em favor da permanência das duas habilitações ameaçadas, a desvalorização desse profissional será grande no mercado de trabalho se a suspensão ocorrer.
O presidente do Conselho Regional de Relações Públicas (Conrerp), Valdeci Ferreira, apóia a mobilização e disse que já conta com apoio do conselho federal. “A extinção desses cursos seria um enfraquecimento da produção de conhecimento”, afirmou."


Comentário:
Lembramos que a baixa procura pelas duas habilitações no curso não é por simples demanda dos alunos. Quando o currículo foi flexibilizado, em 2000, permitindo a formação em duas habilitações, a procura pela habilitação de RP cresceu muito. Somente voltou a se tornar baixa após algum tempo porque os estudantes perceberam o baixo investimento nesta habilitação, que trouxe mais deficiências ao curso. A baixa procura deve ser vista como conseqüência, e não causa dos problemas do curso.
Além disso não concordamos que acabar com uma habilitação seja a solução para a deficiência, que não atinge só as duas habilitações. Acreditamos que antes de se tomar essa atitude seria importante um diálogo mais aberto com os grupos que podem ajudar - os estudantes, ex-alunos, profissionais e entidades que hoje se propõem a contribuir com o Colegiado e a Universidade para sanar os problemas da forma como for possível.

O apoio continua crescendo

Mais um blog está ajudando a divulgar a campanha RP na UFMG: eu digo SIM! é o "RS RP Comunicação", da Relações Públicas Roberta Simon, de Brasília.

Vejam os apoios que já recebemos até agora na internet:

Campanha Nacional de Valorização das RP - http://www.rp-bahia.com.br/campanha/ufmg.htm
Comunica RP - http://comunicarp.wordpress.com/2007/04/27/campanha-rp-na-ufmg/
Conrerp 3ª região - http://www.conrerpmg.org.br/
Grupo MetRóPole - http://br.groups.yahoo.com/group/rpsp/
Grupo Horizonte RP - http://www.horizonterp.com.br/
Oras Blog - http://orasblog.zip.net/
Portal Mundo RP - http://www.mundorp.com.br/
Rede RP - http://rederp.blogspot.com/2007/04/rp-na-ufmg-o-rede-rp-apia.html
RP & Mais - http://rpemais.blig.ig.com.br/
Rpalavreando - http://rpalavreando.blogspot.com/2007/04/em-prol-da-habilitao-de-rp-na-ufmg.html
RS RP Comunicação - http://www.rsrp.blogger.com.br/